Cavaleiro da Concórdia
(Filhos do Racional Superior)

Autor: Luiz Racional e Ricardo da Paz

​Essa é uma história do século passado
Que aconteceu no antigo Rio de Janeiro
Uma parte da vida do Deus verdadeiro
Materializado, Manoel Jacintho Coelho

Tudo aconteceu num café da Lapa

MJC tocava violão de sete cordas
De olhos fechados no Bar dos Carmelitas
Dedilhava o samba de Ismael Silva

As mulheres iludiam com os seus decotes
Pelo salão deslizavam os seus dotes
Mandavam beijos e olhares de paixão
Elas queriam um amor, triste ilusão

Terno azul marinho bem cintado
Camisa de seda branca impecável
Gravata de tussot não podia faltar
E o sapato preto, salto de carrapeta

Lavou o rosto para afastar o cansaço
Passou a noite com o violão no braço
Artistas políticos jornalistas e malandros
Todos se divertindo e Manoel tocando

Aquela noite tinha sido diferente um pouco
Teve a sensação de sair do próprio corpo
Evaporando e encontrando outro mundo
Manoel entrou num transe profundo

Seu corpo foi ficando adormecido
Era como se estivesse anestesiado
Ele tentou reagir respirando fundo
Parecia flutuar no ar denso de fumo

Logo em seguida ouviu um zumbido
Ensurdecedor que invadiu seu ouvido
Sentou na cadeira e ouviu quatro tiros
Viu algo que ainda não tinha acontecido

Ele ouviu os tiros foram quatro estampidos
No cabaré confusão correria e gritos
Viu um homem de branco caído sangrando
Ele viu a morte de Meia Noite o malandro

Manoel comentou com o seu amigo
Tinha visto o malandro tomar quatro tiros
Seu amigo do peito duvidou da visão
Afinal Meia Noite mudou de profissão

Deixou de ser o maior matador da Lapa
Agora era casado e tinha a sua casa
Deixou bebida, mulheres e carteado
A vida de boemia já tinha abandonado

Dias depois veio a confirmação da notícia
Estampado na capa do caderno de polícia
Três tiros colocaram o fim na vida bandida
Do maior malandro que a Lapa conhecia

No antigo palácio do presidente
Getúlio Vargas recebeu o seu presente
Ele achava que era alguém pedindo favor
Mas era o aparelho do RACIONAL SUPERIOR

Não vim pedir favor mas sim ajudá-lo
O senhor vai sofrer um acidente de carro
Soube através da minha vidência
Tome cuidado onde pisa vossa excelência

O presidente quis saber detalhes daquilo
Como é que pode ter certeza disso?
Sei que vai acontecer mas não sei quando
Vi o senhor de carro se machucando

O presidente gelou o rosto de ansiedade
Quis saber se aquele homem falava verdade
E só pra testar, perguntou do seu Governo?
Queria testar Manoel Jacintho Coelho

Atenção com a política social
Respondeu Manoel de forma natural
Os poderosos vão ficar descontentes
Mas verão no senhor um bom presidente

Precisa ter um Ministério do Trabalho
De uma lei de ampare o trabalhador nato
E promulgar a lei da sindicalização
Pra reduzir correntes de migração

Precisa modernizar a educação
E criar as universidades brasileiras
Promover uma reforma é a solução
Faça isso presidente tenha certeza

Vargas ficou perplexo, embasbacado
Não acreditava no que tinha escutado
Manoel disse sem nenhum esforço
Seu plano de governo ainda em esboço

Manoel despediu-se e sai do salão
Quando cruzou a porta outra comprovação
Três taças de cristal tinham se quebrado
Sem que ninguém tivesse nelas encostado

Manoel trabalhando recebeu a verdade
Do Racional Superior pra humanidade
Trabalhava quando viu a luz da razão
Ouviu a voz divina de outra dimensão

Manoel vamos entrar na fase do fogo
Vai surgir uma nova cultura para o povo
E você vai ser o porta-voz das mensagens
Sem templos, igrejas ou outros lugares

O homem vai saber na Cultura Racional
Os segredos da vida e do universo
De forma lógica, clara bem natural
Serão desvendados todos os mistérios

Você vai representar Deus na terra
Vai ensinar o caminho para a vida eterna
Que a vida encantada é nascer e morrer
E o encantado vive sem se conhecer